Bloco 10: Prospecção confirma sistema petrolífero, mas sem viabilidade comercial

O gerente da Shell para São Tomé e Príncipe, Andrew Hebert, afirmou que os resultados da prospecção petrolífera realizada no Bloco 10, apresentados recentemente ao Primeiro-Ministro, não revelaram a existência de petróleo em quantidade comercial.
Segundo Andrew Hebert, o encontro com o Chefe do Governo teve como principal objectivo partilhar os resultados do poço perfurado em Novembro do ano passado, um furo considerado histórico para a Shell. “Foi o poço mais profundo já perfurado pela Shell em toda a sua história, atravessando cerca de três mil metros de lâmina de água”, explicou.

O responsável destacou ainda que a operação foi realizada com elevado nível tecnológico, sem incidentes e com elevados padrões de segurança, numa parceria entre a Shell, a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo de São Tomé e Príncipe (ANP-STP).

 

Apesar da expectativa criada, o poço não confirmou a presença de petróleo em quantidade comercial. “Infelizmente, o resultado foi não comercial. Isso não significa que não exista petróleo em São Tomé e Príncipe. Já se sabia da existência de um sistema petrolífero, comprovado em 2022 com o poço Ajac, perfurado pela Galp, em parceria com a Shell e a ANP-STP”, esclareceu.

De acordo com Andrew Hebert, o poço Falcão, localizado no Bloco 10, ao largo da ilha do Príncipe, confirmou a existência desse sistema petrolífero, mas não encontrou acumulações economicamente viáveis. “Não foi desta vez que se conseguiu encontrar petróleo comercial”, afirmou.
Questionado sobre os próximos passos, o gerente explicou que o país ainda é considerado uma área pouco explorada. “Na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe apenas dois poços foram perfurados em toda a história. Em outros países, existem centenas. Isso significa que ainda há pouca informação disponível”, sublinhou.
Nesse sentido, os parceiros do projecto vão agora integrar e analisar os dados recolhidos. Apesar de o resultado não ter sido o esperado, Andrew Hebert considera que o poço forneceu informações valiosas que irão ajudar a melhorar os modelos geológicos e orientar futuras decisões de exploração.
“O petróleo só se encontra perfurando. Podemos fazer muitos estudos, mas sem furos não há como confirmar. Cada poço acrescenta conhecimento e reduz incertezas”, concluiu.

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