O Governo considerou desnecessária a ameaça de paralisação anunciada por sectores sindicais da EMAE, numa altura em que decorrem esforços para resolver os problemas de energia e água no país. A posição foi reiterada pelo Primeiro-Ministro, Américo Ramos, que apelou ao diálogo e à responsabilidade conjunta na superação dos desafios enfrentados pela empresa.
Segundo o chefe do Governo, a aquisição de novos grupos geradores foi orientada pelo Executivo, mas executada pela EMAE, que adjudicou o processo a uma empresa responsável pelo transporte dos equipamentos. Apesar da previsão inicial de chegada antes do Natal, os geradores não chegaram devido a constrangimentos logísticos, não imputáveis exclusivamente ao Governo.
Américo Ramos afirmou não compreender a posição do presidente do sindicato, recordando que as opções tomadas foram explicadas detalhadamente em reuniões com a direcção da EMAE e a equipa técnica, nas quais o sindicato esteve presente. Defendeu que, em vez de criar tensões, os sindicatos devem colaborar activamente na busca de soluções.
O Primeiro-Ministro reconheceu ainda a existência de problemas estruturais graves na empresa, apontando falhas recorrentes na manutenção, desvios de combustível, actos de sabotagem e excesso de trabalhadores como alguns dos principais desafios. Explicou que muitos dos geradores actualmente em funcionamento têm entre 10 e 15 anos e que a falta de manutenção adequada aumenta o risco de falhas inesperadas no sistema.
Américo Ramos sublinhou também que cerca de 80% do combustível importado pelo Estado é destinado à EMAE, sem que haja retorno financeiro suficiente, tornando o modelo actual insustentável. Por isso, defendeu a necessidade de reforçar a manutenção, garantir peças de substituição, reduzir perdas e promover uma gestão mais eficiente.
O chefe do Governo concluiu apelando à colaboração entre o Governo, a direcção da empresa, os técnicos e os sindicatos, sublinhando que os desafios da EMAE exigem diálogo, responsabilidade e compromisso de todas as partes.