O Diretor-Geral da ENASA, António Trindade, garantiu esta manhã que o Aeroporto Internacional Nuno Xavier continua operacional, apesar da greve parcial dos controladores de tráfego aéreo. Segundo o responsável, o aeroporto “não esteve parado em momento algum” e mantém as suas atividades com o contingente de trabalhadores que não aderiu à paralisação.
A greve foi convocada após um pré-aviso apresentado pelo sindicato dos controladores, o SINTAS, que reclama o incumprimento de um memorando assinado na sequência de reivindicações anteriores, sobretudo relacionadas com o pagamento do denominado subsídio de licença, um apoio associado à formação e qualificação técnica dos controladores. Trindade reconheceu que a direção da ENASA chegou a assumir compromissos, mas afirma que a empresa “não tem estrutura financeira” para satisfazer todas as exigências. Defendeu ainda que “falta razoabilidade” nas negociações e que é preciso considerar as dificuldades do país.
O diretor rejeitou as acusações de agressões feitas pelos sindicalistas e explicou que a retirada dos controladores da torre de controlo ocorreu porque, segundo ele, os grevistas ocuparam o espaço de forma indevida, desligando equipamentos e impedindo o funcionamento normal do serviço. Trindade diz ter solicitado a intervenção da Polícia de Intervenção Rápida apenas para garantir a desocupação do local, negando qualquer agressão física.
Do lado dos trabalhadores, a chefe dos controladores de tráfego aéreo, Cláudia Rocha, contestou firmemente a versão da ENASA. Segundo ela, sete controladores foram detidos, incluindo o presidente do sindicato, que terá sido algemado e manifestado desconforto físico sem receber atenção adequada. A responsável garante que nenhum equipamento foi sabotado e acusa a direção de tentar “banalizar toda uma classe”, criando um conflito que considera ter também raízes pessoais.
Para os controladores, o ponto central da greve é o subsídio de licença,uma prática que afirmam existir noutros países e que, segundo garantem, é reconhecida internacionalmente. Rocha critica o facto da ENASA ter pago recentemente um subsídio de especialização de 7.500 dobras a mais de 200 trabalhadores, incluindo pessoal de limpeza e jardinagem, ao mesmo tempo que alega não ter capacidade financeira para pagar um subsídio específico a apenas 21 controladores no país.
A sindicalista defende que o controlador de tráfego aéreo é uma profissão de elevada responsabilidade e constante atualização, responsável diariamente por centenas de vidas. Afirma que, enquanto os colegas permanecerem detidos, nenhum controlador retomará funções, mantendo a paralisação como forma de protesto.
A situação permanece tensa, com versões contraditórias entre a direção e os controladores, enquanto se aguarda por esclarecimentos sobre o estado de saúde do sindicalista detido e por eventuais avanços nas negociações.