Internamento condicionado pela escassez de água em unidade hospitalar

A falta de água num hospital do país está a comprometer seriamente as condições de higiene, o bem-estar dos doentes e o funcionamento de serviços essenciais, segundo denúncias de uma paciente internada e de uma funcionária hospitalar com 25 anos de serviço.
Internada há cerca de uma semana, Selsena Fernandes relata que não há água para tomar banho, beber ou para a ingestão de medicamentos, obrigando doentes e acompanhantes a deslocarem-se a outras zonas para conseguir esse recurso básico. “Desde que vim para aqui, não tem água. Nem para dar banho aos bebés”, afirmou.
A situação foi confirmada por Oldina Pinto, funcionária hospitalar que trabalha na instituição há mais de duas décadas, em entrevista afirmou que o hospital dispunha anteriormente de água suficiente para garantir a limpeza das enfermarias e espaços comuns, mas o abastecimento tornou-se irregular ao longo dos últimos anos. “Não sei se é problema do Governo ou do hospital, só sabemos que estamos sem água”, lamentou.
De acordo com a trabalhadora, a maternidade chegou a ficar três dias consecutivos sem água, obrigando mães e profissionais a recorrerem a soluções improvisadas. Em alguns casos, as próprias mães compram água na estrada para a preparação de medicamentos, higiene pessoal e banho dos bebés.
A falta de água afecta igualmente os serviços de limpeza. A funcionária afirma ter passado até dez dias sem conseguir realizar a limpeza adequada das instalações, alertando para os riscos de infeção. “Sem água, não há trabalho limpo. Um hospital é centro de todo o tipo de infeção”, sublinhou.
Confrontado com as denúncias durante uma visita ao Hospital Central, o Primeiro-Ministro, Américo Ramos, reconheceu que o problema da água no hospital “não é novo” e que se trata de uma questão estrutural. Segundo o chefe do Governo, existe uma linha de captação directa de água para o hospital, que tem sido frequentemente vandalizada ou danificada ao longo do percurso, o que compromete o abastecimento regular.
Américo Ramos explicou ainda que o hospital dispõe de um depósito, mas que este nem sempre é suficientemente abastecido para garantir as necessidades de higiene dos utentes. Relativamente à água para a ingestão de medicamentos, o Primeiro-Ministro esclareceu que essa água não é própria para consumo, sendo necessário que o hospital ou outras entidades assegurem o fornecimento de água potável.
O chefe do Governo defendeu que a resolução do problema exige intervenções de fundo e um esforço conjunto. “São questões estruturais que dependem não só do abastecimento, mas também do comportamento das pessoas. Os profissionais de saúde e os utentes têm de saber lidar com os recursos disponíveis”, afirmou, sublinhando que a melhoria passa pela responsabilidade de todos.
Apesar dos esclarecimentos, até ao momento, pacientes e trabalhadores continuam a enfrentar dificuldades diárias devido à falta de água, situação que levanta sérias preocupações quanto às condições mínimas de higiene e saúde pública na unidade hospitalar.

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