A sessão plenária da Assembleia Nacional ficou marcada por forte tensão política, após deputados levantarem graves denúncias de incompatibilidade de mandato envolvendo membros do Parlamento.
Durante os trabalhos, foi dada posse a uma deputada substituta. Em seguida, o deputado Eláxio interpelou a Mesa, denunciando que existem deputados a exercer funções na administração pública, situação que viola o Estatuto dos Deputados e pode resultar na perda de mandato.
O parlamentar afirmou possuir documentos comprovativos, incluindo folhas de efetividade assinadas no mês de janeiro, o que indicaria exercício simultâneo de funções públicas e mandato parlamentar. A Presidente da Assembleia inicialmente recusou receber os documentos, mas acabou por aceitá-los, garantindo o envio aos serviços competentes para averiguação.
A tensão aumentou com a intervenção do deputado Danilo Santos, que apontou irregularidades no processo de reintegração do deputado Alexandre Guadalupe, funcionário de uma empresa pública. Segundo Danilo Santos, o deputado participou numa plenária e retomou funções na empresa no dia seguinte, sem licença legal adequada.
Perante as acusações, a Presidente da Assembleia defendeu que os casos devem seguir os trâmites legais e regimentais, sublinhando que cabe aos órgãos competentes da Assembleia Nacional proceder à análise dos documentos apresentados e apurar eventuais responsabilidades.
O episódio expôs divergências profundas no seio do Parlamento e levantou dúvidas sobre o cumprimento do Estatuto dos Deputados, num momento politicamente sensível marcado pelo debate da moção de censura ao Governo.