São Tomé e Príncipe poderá reduzir em cerca de 50% a sua fatura anual com combustível para produção de energia elétrica caso avance para a transição do atual sistema térmico a diesel para a geração baseada em gás natural. A conclusão resulta de um estudo de viabilidade técnica e económica apresentado esta semana no âmbito do Projeto de Acesso à Energia Limpa e Sustentável (AELS).
De acordo com Miguel Pita, coordenador do projeto AELS, o estudo confirma que a introdução de geração de energia com base em gás natural é tecnicamente viável e economicamente vantajosa para o país. Atualmente, o Estado gasta entre 30 a 35 milhões de euros por ano apenas em combustível para produção de eletricidade, valor que poderá ser reduzido para metade com a adoção desta alternativa energética.
“O estudo foi conclusivo quanto à viabilidade técnica e económica. O desafio agora é definir uma estratégia clara para atrair parceiros privados interessados em fornecer gás, gerar energia e vendê-la à rede nacional”, explicou Miguel Pita.
Segundo o coordenador, esta fase intermédia do projeto identifica três opções estratégicas para preparar o país para atrair investimento privado, reconhecendo que São Tomé e Príncipe ainda não reúne todas as condições de mercado, financeiras e institucionais necessárias para avançar imediatamente para a implementação.
Apesar da dependência da importação de combustíveis fósseis, Miguel Pita sublinhou que o gás natural deverá funcionar como uma fonte segura, fiável e não intermitente, essencial para garantir estabilidade ao sistema elétrico, complementando o crescimento das energias renováveis. “Infelizmente, não conseguimos ter apenas energia renovável. Precisamos sempre de uma base térmica que assegure a fiabilidade do sistema”, afirmou.
“A atual dependência de geração térmica a diesel expõe o país à volatilidade dos preços internacionais e pressiona as finanças públicas, resultando numa eletricidade cara e pouco fiável”, frisou Belizardo Neto, lembrando que cerca de 95% da eletricidade produzida no país é de origem térmica.
A transição para combustíveis alternativos, como o gás natural, está consagrada como prioridade nacional no Compromisso Nacional de Energia – Energy Compact 2024, que define um roteiro para a transformação do setor elétrico.
No encerramento do workshop, Gabriel Maquengo, director de Energia da DGRNE e coordenador nacional do UNIDO, apelou à participação ativa dos técnicos e instituições no acompanhamento do processo. Segundo afirmou, o objetivo do encontro foi recolher contributos técnicos e sensibilidades setoriais para munir os decisores políticos de informação sólida.
“A decisão final cabe ao Governo, mas é fundamental que seja baseada em informação técnica clara. Cada um de nós deve ser árbitro deste processo até à sua conclusão, garantindo que não fique apenas no papel”, sublinhou.
O Governo deverá agora analisar os resultados apresentados e tomar uma decisão estratégica sobre o caminho a seguir para a transição energética, considerada crucial para o futuro do setor elétrico e para o desenvolvimento sustentável de São Tomé e Príncipe.