São Tomé, 27 de junho de 2026 – O primeiro-ministro, Américo Ramos, declarou-se este sábado novo presidente da Ação Democrática Independente (ADI), na sequência de um congresso extraordinário realizado à margem da atual direção do partido, liderada pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada.
O encontro, denominado V Congresso Extraordinário da ADI pelos seus promotores, ocorreu num contexto de forte tensão interna e de disputa pela liderança da maior força política do país. Américo Ramos justificou a realização do congresso com base numa decisão do Tribunal Constitucional que determinava a convocação de um congresso partidário dentro de um prazo de 30 dias, alegando que a direção liderada por Patrice Trovoada não cumpriu a decisão judicial.
Segundo Ramos, o congresso reuniu militantes, delegados e membros do Conselho Nacional da ADI que defendiam a necessidade de cumprir a orientação do Tribunal Constitucional. O primeiro-ministro afirmou ter sido eleito presidente do partido numa votação em que concorreu como candidato único.
A direção oficial da ADI contesta a legitimidade do processo. Na sexta-feira, o partido apresentou uma providência cautelar junto do Tribunal Constitucional para impedir Américo Ramos e os seus apoiantes de realizarem reuniões ou congressos utilizando os símbolos da ADI, classificando essas iniciativas como ilegais.
A crise interna na ADI tem-se agravado nos últimos meses. Em março, o Tribunal Constitucional aceitou uma providência cautelar apresentada pelo grupo de Américo Ramos, suspendendo a realização de um Conselho Nacional que pretendia adiar o congresso eletivo do partido. Mais tarde, num acórdão datado de 28 de maio, o tribunal determinou que a ADI realizasse o congresso num prazo não superior a 30 dias.
Após a sua proclamação como novo líder, Américo Ramos garantiu que irá encaminhar toda a documentação do congresso ao Tribunal Constitucional para obter o reconhecimento formal da nova direção. O governante mostrou-se confiante de que o processo respeitou os estatutos e a legislação em vigor.
O novo dirigente prometeu ainda introduzir mudanças profundas na ADI, com o objetivo de tornar o partido “mais inclusivo e mais democrático”.
A disputa entre as alas de Américo Ramos e Patrice Trovoada abre agora uma nova fase de incerteza política, cabendo ao Tribunal Constitucional pronunciar-se sobre a validade do congresso e sobre quem detém legitimamente a liderança da ADI, numa altura em que o país se prepara para importantes desafios eleitorais.
Discover more from Zunta TV - Televisão Independente
Subscribe to get the latest posts sent to your email.