O Ministério do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável promoveu um workshop de sensibilização direcionado ao setor privado, integrado no processo de elaboração do Plano Nacional de Adaptação (NAP) às Alterações Climáticas. O encontro teve como objetivo principal debater os riscos climáticos e integrar o tecido empresarial nas estratégias de sustentabilidade e desenvolvimento do país.

Durante a sessão de abertura, a representante da Ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável destacou que São Tomé e Príncipe se encontra na linha da frente face aos impactos climáticos, apesar de a sua contribuição para as emissões globais ser marginal. O país enfrenta ameaças existenciais como a subida do nível do mar, a erosão costeira, a perda de biodiversidade e a insegurança alimentar. As projeções apontam que, sem medidas eficazes, o país poderá perder uma parte significativa da sua linha costeira até 2050, com graves repercussões para as comunidades e infraestruturas, relembrando os eventos extremos de dezembro de 2021.
O coordenador do projeto, Vitor Bonfim, assinalou que o setor privado local se encontra num estado muito embrionário, composto essencialmente por micro-empresas focadas no comércio, na construção e no turismo. Segundo Bonfim, a consciencialização sobre os riscos climáticos é reduzida e o interesse em investimentos de adaptação permanece quase inexistente, devido à falta de incentivos específicos e à limitação na divulgação de informações.
Por sua vez, Ivo Pizarro, representante da EFN Foundation, entidade contratada para prestar apoio técnico e facilitar a interface do processo, salientou que o foco principal passa por identificar as barreiras sentidas pelas empresas, tais como o acesso a financiamento e a conhecimento técnico. Pizarro sublinhou que eventos como inundações e enxurradas podem comprometer a atividade económica, tornando urgente sensibilizar o empresariado para a criação de resiliência.
O evento concluiu que a adaptação às alterações climáticas não deve ser encarada apenas como um desafio, mas também como uma oportunidade para modernizar os processos produtivos, promover tecnologias resilientes e diversificar investimentos, consolidando um modelo de desenvolvimento mais sustentável em São Tomé e Príncipe.
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