O candidato às eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe, o advogado Miques João Bonfim, denunciou publicamente ter sido alvo de uma tentativa de invasão armada na sua residência privada, localizada na zona da Roça Vitória. O incidente, classificado pelo candidato como um grave atentado contra a sua segurança e integridade física, terá ocorrido na madrugada do último sábado, por volta das 01h30.
Segundo o relato do candidato, um grupo composto por cinco a seis militares armados terá invadido o quintal da sua propriedade privada. No momento da incursão, a presença dos soldados gerou pânico imediato entre os familiares que se encontravam no local.
Miques João explicou que foi obrigado a ocultar-se no interior da habitação para salvaguardar a sua vida, enquanto familiares intervieram diretamente para confrontar os militares, forçando-os a retirar-se do local.
“Eu tive que esconder-me, a minha família toda apavorada. Teve que haver intervenção de alguns familiares meus para que depois esses elementos pudessem pôr-se em fuga da minha residência”, detalhou o candidato.
Miques João Bonfim estabeleceu uma relação direta entre esta incursão armada e o seu tempo de antena eleitoral, transmitido escassas 48 horas antes do sucedido. Nesse espaço, o candidato abordou de forma crítica o polémico caso de 25 de novembro de 2022 — o episódio de violência militar que resultou na tortura e morte de quatro civis no quartel de São Tomé.
O advogado, que tem sido uma das vozes mais críticas do sistema judicial e político são-tomense relativamente a este dossiê, alega que a ação militar constitui uma retaliação e uma tentativa de silenciamento.
Face à gravidade do ocorrido, Miques João lançou duras e diretas acusações contra o atual Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Carlos Vila Nova, que é também o seu adversário direto na corrida presidencial.
“E saibam que se eu morrer hoje ou amanhã, é por causa do 25 de novembro e a responsabilidade é do Sr. Carlos Vila Nova, enquanto Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas de São Tomé e Príncipe”, declarou categoricamente.
O candidato exige que o Chefe de Estado ordene uma investigação célere para apurar as responsabilidades da cadeia de comando militar sobre esta operação noturna na sua propriedade privada.
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